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Arménio Pinho: “Queremos clubes fortes no futuro”. AFA encontrou a solução “mais justa” para terminar a época

Arménio Pinho, presidente da Associação de Futebol de Aveiro, em entrevista esta quarta-feira na Sintonia Feirense

A solução encontrada pela Associação de Futebol de Aveiro para terminar a presente temporada é, no entender do presidente, Arménio Pinho, “a mais justa”. Por um lado, “premeia o mérito” dos clubes e, por outro, respeita a decisão daqueles que preferem não jogar e “preparar com tranquilidade a próxima época”.

O que nós queremos são clubes fortes no futuro, queremos clubes que estejam aptos para competir e que não tenham as dificuldades que nós sabemos que neste momento têm. Criámos as condições para a promoção aos campeonatos nacionais e não despromovemos ninguém”, afirma o responsável. A solução, diz, “satisfez o desejo de todos os clubes”.

Grupos de 4 com sorteio ao “estilo da Liga dos Campeões”

Em entrevista na Sintonia Feirense esta quarta-feira, Arménio Pinho desvendou o formato competitivo das provas facultativas criadas pela AFA no que toca ao futebol distrital (Campeonato SABSEG e 1ª e 2ª Divisão Distrital. Serão criados grupos de quatro equipas e disputados seis jogos (três fora e três em casa), sendo que a AFA vai colocar “como cabeças de série os clubes mais pontuados”.Achámos que a opção de partirem para a segunda fase com 50 por cento dos pontos era a forma de reconhecer o mérito às equipas que até aqui também lutaram pelos pontos“, afirma. Os primeiros classificados de cada grupo seguirão em frente, explica, afirmando que poderá ser repescado o segundo melhor classificado, dependendo do número de equipas a inscrever-se.

Para definir os grupos, a AFA organizará um sorteio “ao estilo da Liga dos Campeões”. Arménio Pinho aponta para março a realização desse sorteio, referindo que há regulamentos para elaborar e estudar. Além disso, consoante o número de inscrições, o Gabinete Técnico da AFA terá agora de “idealizar os formatos” das provas (número de grupos, consoante as equipas, por exemplo).

Sem adiantar quantas equipas em concreto se inscreveram nestas provas facultativas, Arménio Pinho fala numa “maioria a querer jogar nas três divisões“. “Mais de 50 por cento dos clubes de todas as divisões querem jogar“, precisou ontem o presidente da AFA. Arménio Pinho fala de “entusiamo redobrado” por parte dos clubes nesta possível retoma, para abril, e diz que a adesão surpreendeu pela “positiva”. Ressalva, contudo, que a retoma estará sempre dependente do Governo e da DGS e da forma como o país irá desconfinar. “Não podemos garantir nada, não somos a DGS ou o Governo. O que existe – a partir da Páscoa – é a ideia de abertura, de podermos marcar três semanas de treinos e entrar provas facultativas“, afirma.

Possibilidade de testes à Covid-19 em cima da mesa

Arménio Pinho admitiu, ainda, que a AFA está a estudar a possibilidade de realizar testes à Covid-19 neste novo formato. “Estamos em consultas, precisamos de valores, só depois de vermos o número de clubes que vamos ter é que iremos decidir. É uma situação que equacionamos muito neste momento”, reconheceu.

O panorama do desporto distrital, a quebra do número de atletas, o cenário que está a ser pensado para o futsal, para quando o regresso da formação e dos adeptos ao estádio e os apoios que estão a ser reivindicados junto das entidades competentes foram outros tópicos abordados nesta entrevista de fundo. Arménio Pinho diz que a pressão junto do Governo “tem surtido efeito“, mas afirma que a AFA, as outras associações distritais e a Federação Portuguesa de Futebol querem “mais” e lamenta que o Plano de Recuperação e Resiliência não tenha verbas direcionadas para o Governo. “Não podemos continuar a ser os parentes pobres”, vinca, garantindo que continuará a bater-se por mais apoios e destacando a ajuda dada pelas Câmaras Municipais aos clubes do distrito de Aveiro. “Têm sido um exemplo”, destaca.

Num plano mais pessoal, Arménio Pinho fala, na última parte da entrevista, de como tem sido gerir a AFA em tempos de pandemia. “Sempre gostei muito de pressão, gosto de ter muitas coisas para fazer ao mesmo tempo e consigo dormir pouco. Quando tomamos as decisões, temos de ser independentes de toda a gente, não olhando a uns nem a outros, não podemos beneficiar o A nem o B e temos de tomar a decisão em direção e tem de ser aquela que no nosso entender é a mais adequada e correta. Se vai agradar a todos já sabemos que não vai. A decisão é aquela que, em consciência, achamos que é a melhor para todos”, reflete.

Pode ouvir a entrevista na íntegra aqui.

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